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Tema

Todos os mundos. Um só mundo. Arquitetura 21

O tema do 27º Congresso Mundial da União Internacional dos Arquitetos – UIA2020RIO destaca a realidade urbana do mundo contemporâneo e envolve o papel da Arquitetura. Expressa a diversidade e a multiplicidade das formas urbanas e dos modos de produção das cidades.

Cidades múltiplas, cheias de contrastes, de possibilidades, de desigualdades e de acertos. São muitos os mundos urbanos a exigir atenção específica, para a qual a Arquitetura, em sua ampla dimensão, tem responsabilidade jamais exagerada. Nossas ações de planejamento, de projeto e de construção interessam a todos esses mundos e sobre cada um têm repercussão.

No Brasil, de 200 milhões de habitantes, 175 milhões vivem em cidades. É uma proporção que se manifesta em grande parte dos continentes. A noção de finitude nos impõe novos desafios na busca de preservação e da sustentabilidade das condições ambientais. Mas, igualmente, também das condições culturais e espaciais urbanas.

Todos vivemos uma mesma era. Um só mundo. As comunicações nos tornam instantâneos e os desdobramentos alcançam a todos.

Nesse contexto, a arquitetura enriquece sua experiência sem dogmas. Estimula a diversidade de modos de intervenção, a simbiose entre cultura popular e a dos arquitetos, a produção da nova cidade da tolerância e do reconhecimento das inúmeras contribuições e preexistências. Cidades que consigam ser as respostas desejadas ao século do urbano, do respeito ao meio ambiente e às necessidades das futuras gerações.

O Brasil possui vinte metrópoles e duas megacidades interligadas territorialmente. Apresenta arquiteturas-cidades que ilustram as inúmeras possibilidades e os enormes desafios da arquitetura do século 21. Arquiteturas da pobreza das favelas e do dinamismo das favelas; dos ricos enclaves e da pobreza dos enclaves; do espaço público de interação e do espaço do monofuncionalismo. Novas cidades, velhas cidades a pedirem nossa reflexão de arquitetos, de pensadores do urbano, de agentes produtores de cidade, de cidadãos.

Os intensos fluxos assimétricos, que caracterizam a cidade de hoje, se manifestam em processos como a circulação e localização desigual de investimentos e serviços, a vertigem do trânsito de imagens, produtos e informações e nas novas fronteiras sociais. A produção imobiliária segue focada na acumulação de capitais. Catástrofes ambientais, o esgotamento de recursos naturais, o inchamento e encolhimento de cidades colaboram no aumento de conflitos sociais, acirrando desigualdades e fragilidades.

A rapidez e a escala das mudanças acentua o sentimento de perda de valores e tradições culturais locais e enfraquece a capacidade de resiliência. Medidas econômicas protecionistas, nacionalismos exacerbados e lutas entre grupos étnicos retrocedem o relógio da história, na contracorrente do universalismo, da tolerância e dos esforços em prol de diálogos transculturais e transnacionais.

A globalização dos problemas é acompanhada pela internacionalização da atuação profissional. Arquitetos e urbanistas atuando simultaneamente em diversos países disseminam conceitos, tecnologias construtivas e estratégias projetuais. Equalizam aparências em toda parte, nem sempre atentos à contribuição das populações locais e de suas heranças culturais.

A prática profissional do arquiteto e urbanista enfrenta uma ampla e complexa ressignificação de seu lugar social e cultural; a possibilidade de crise, mas também de ampliação do campo de . atuação do arquiteto, merece uma necessária e profunda reflexão.

Eixos Temáticos

Segundo o título “Todos os Mundos. Um só mundo. Arquitetura 21”, o 27º Congresso será organizado a partir de quatro eixos temáticos. Eles definem uma matriz em que se agruparão as Conferências, Mesas Redondas, Mostras, Workshops e demais eventos, conforme sua afinidade com um dos eixos propostos.

Os eixos são interconectados, não são estanques. Permitem organizar abordagens específicas, dentro do amplo espectro de questões candentes do universo da arquitetura e do urbanismo contemporâneos. Permitem agregar trabalhos, saberes e reflexões que enfrentam um similar conjunto de questões, reunindo pessoas com interesses comuns, mesmo se diversos em lugar, escala, programa e enfoque.

1. DIVERSIDADE E MISTURA

Neste eixo, a ênfase é na arquitetura e no urbanismo atentos à diversidade e mistura de culturas e ao inter-relacionamento com outros campos profissionais, envolvendo questões antropológicas, políticas, sociais, culturais e econômicas e outras.

Acolhe experiências que valorizem a diversidade cultural e social, englobando a mistura de visões de mundo, de gêneros, de rendas, de raças. Que proporcionem a superação da segregação e de enclaves, e que reconheçam a necessidade de preservação dos legados materiais e imateriais dos diferentes povos.

Aqui também interessa investigar a diversidade de tempos e escalas. As obras bem-vindas são aquelas que estimulem a reflexão sobre as diversas escalas urbanas e seus tempos intrínsecos; propostas para reocupação de pequenos assentamentos, em parte condicionada pelas possibilidades proporcionadas pelas novas tecnologias; estudos que considerem um ritmo de vida alternativo, condizente com o cotidiano da pequena escala, entre outras possibilidades de abordagem.

2. MUDANÇAS E EMERGÊNCIAS

Neste eixo, se busca debater as intensas mudanças do mundo contemporâneo e seus reflexos no campo da arquitetura e do urbanismo, com ênfase nas dimensões social, ambiental e tecnológica. Discute o desafio imposto pelas novas tecnologias, relacionados aos processos de projeto e construção e suas implicações sobre o processo criativo e produtivo da profissão.

Este tema convida trabalhos que valorizem uma visão de arquitetura comprometida com a realidade de um mundo majoritariamente urbano. E que busquem contribuir para a redução dos efeitos das mudanças climáticas, o atendimento emergencial às populações desalojadas e o aprimoramento da visão de arquitetura sustentável, entre outros. Serão valorizadas experiências incorporando novos arranjos profissionais como a formação de coletivos, equipes multidisciplinares e processos participativos.

3. FRAGILIDADES E DESIGUALDADES

Enfoca as dimensões sociais da arquitetura e do urbanismo, tomando como foco os desafios mundiais para o enfrentamento das fragilidades e desigualdades urbanas. Considera os grandes contingentes de pessoas vivendo em condições precárias em favelas, cortiços, ruas, abrigos temporários, assentamentos informais e unidades habitacionais produzidas por autoconstrução ou autogestão, não raro expostos a condições de grande vulnerabilidade e violência urbana.

É dada preferência a trabalhos que contribuam para ampliar as formas de conexão com a sociedade e participação nos processos decisórios, debatendo programas e ações que promovam a inclusão social e contribuam para a reversão da atual tendência ao agravamento da segregação espacial. Exemplos são programas de urbanização de favelas, requalificação de edifícios em áreas centrais, regularização fundiária, autoconstrução assistida, universalização do acesso às infraestruturas, bens e serviços urbanos, entre outras propostas que contribuam para um conjunto abrangente de boas práticas.

4. TRANSITORIEDADES E FLUXOS

Repousa sobre os deslocamentos em geral, buscando ampliar a compreensão sobre as transitoriedades e os fluxos na escala planetária e nas escalas locais em suas dimensões demográfica, temporal e humana.

A velocidade desses novos fluxos tem contribuído para a consolidação de uma cultura global e a globalização da prática da arquitetura e do urbanismo, buscando discutir as implicações dessa realidade na formação e na prática profissional contemporânea.

As obras recebidas neste eixo tentarão compreender os deslocamentos de pessoas, de bens, de serviços, de empregos, assim como o deslocamento das informações, o fortalecimento das redes transnacionais, as novas formas de comunicação e as novas modalidades de sociabilidade que tem transformado profundamente nossas formas de vida. Serão priorizados trabalhos que abordem a questão das migrações contemporâneas, desde os grandes deslocamentos populacionais às pequenas acomodações locais, a revisão da ideia de fronteiras nacionais e culturais, as diásporas e exclusões, as intervenções de arquitetura e urbanismo voltadas para o atendimento do efêmero e do temporário, desde a moradia de emergência aos grandes eventos internacionais



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