POR

A Arquitetura de Niemeyer no Carnaval do Rio e de São Paulo

20/02/2020
O arquiteto Oscar Niemeyer projetou o
Sambódromo do Rio, que virou mundialmente
uma marca registrada do Carnaval carioca.

O Carnaval do Rio de Janeiro talvez não tivesse alcançado a fama internacional que desfruta hoje se não fosse uma importante ajuda da Arquitetura, com a assinatura de ninguém mais que Oscar Niemeyer: o Sambódromo, que tornou-se uma das obras arquitetônicas do Rio de Janeiro mais reconhecidas mundialmente.

Até 1983, o desfile das escolas de samba era realizado na Avenida Presidente Vargas, a maior do Centro do Rio. Arquibancadas de ferro e madeira e outras instalações (banheiros, portões de entrada etc.) eram montadas e desmontadas uma vez por ano, a avenida era adaptada provisoriamente a cada Carnaval para virar uma passarela de desfiles.

Até que em 1983 o então governador do Rio, Leonel Brizola, inspirado por uma ideia original de seu vice-governador, o genial antropólogo e escritor Darcy Ribeiro, pediu a Oscar Niemeyer que projetasse um palco permanente para os desfiles das escolas de samba. Darcy acrescentou que o local deveria também ter salas de aulas, creches, zonas artesanais e uma grande praça destinada a espetáculos de teatro, música e balé, de modo que a construção não fosse usada apenas uma vez por ano, no Carnaval, mas tivesse utilidade pública ao longo dos 12 meses.

Em 1984, o Sambódromo foi inaugurado com o nome de Avenida dos Desfiles. Posteriormente, passou a ser chamado Passarela do Samba e em 1987 finalmente adotou sua denominação oficial que está em vigor até hoje: “Passarela Professor Darcy Ribeiro”, uma homenagem ao famoso antropólogo, principal mentor da obra. Mas, na prática, é conhecido popularmente apenas como Sambódromo, termo criado pelo próprio Darcy Ribeiro.

O Sambódromo tem 700 metros de comprimento com 13 de largura e ao final as arquibancadas se abrem, surgindo a Praça da Apoteose, onde está localizado o Museu do Samba. Em 2011, o lugar passou por uma reforma, com a demolição de camarotes e a construção de novas arquibancadas, seguindo o projeto original de Niemeyer. Atualmente, cinco escolas funcionam nas salas de aula construídas debaixo das arquibancadas e nos camarotes, atendendo a mais de mil alunos regulares da rede pública.

O enorme arco que fica no final da Praça da Apoteose, que traz os traços curvos característicos das obras de Niemeyer, virou um ícone do Carnaval do Rio.

Com o Sambódromo, o nome de Oscar Niemeyer passou a ser eternamente associado ao Carnaval do Rio e o arquiteto foi homenageado duas vezes por grandes escolas de samba.

No Carnaval de 2003, virou o astro principal do desfile da Vila Isabel, com o enredo “Oscar Niemeyer, o arquiteto no Recanto da Princesa”. O enredo foi escrito pelo grande sambista Martinho da Vila, que era amigo de Niemeyer. Naquele ano a Vila estava no grupo de Acesso (equivalente a uma segunda divisão da competição das escolas de samba do Rio) e terminou o desfile num honroso terceiro lugar.

Em 2006, quando Niemeyer completaria 100 anos, foi a Viradouro que levou o mestre da Arquitetura para seu enredo, intitulado “Arquitetando Folias”. A Viradouro ficou em terceiro lugar no Grupo Especial (equivalente à primeira divisão) e por muito pouco, apenas 0,4 ponto, não empatou com as duas primeiras colocadas, a campeã Vila Isabel e a vice-campeã Grande Rio.

Pouco antes do Sambódromo do Rio, Oscar Niemeyer também projetou a Passarela do Samba da cidade de São Paulo, encomendada pela então prefeita Luiza Erundina. Foi inaugurada em 1991, com o nome de Polo Cultural e Esportivo Grande Otelo, mas hoje é popularmente chamada apenas de Passarela do Samba. O Sambódromo paulistano é um pouco menor do que seu similar carioca, possui 530 metros de comprimento e 14 metros de largura, com declive para evitar alagamentos. Quando foi inaugurado, tinha capacidade para apenas 10 mil pessoas, mas cinco anos depois foi ampliado e hoje comporta 30 mil. Além das escolas de samba paulistanas, já recebeu shows de grandes artistas internacionais como Elton John, Kiss e Aerosmith.

Maior palco do Carnaval brasileiro, o Sambódromo do Rio tem capacidade para receber até 70 mil pessoas
Foto de Alexandre Macieira/Riotur
Além de escolas de samba, o Sambódromo de São Paulo já foi palco de shows de astros internacionais do pop/rock, como Elton John, Kiss e Aerosmith
Foto de Carlos Barretta


Realização

Promoção

Parceiros Institucionais

Apoio Institucional

Parceiro em Artigos & Projetos

Parceiro de Mídia

Agência de Viagens

Expo

Produção

Secretaria Executiva